À primeira vista, o símbolo do sustenido (#) e o da cerquilha parecem idênticos. Ambos são formados por duas linhas verticais cortadas por duas horizontais, criando uma grade visual que desafia a simplicidade. Mas enquanto o sustenido habita o universo da música, alterando a altura das notas, a cerquilha vive no mundo da tecnologia, marcando hashtags e comandos. A semelhança gráfica esconde uma diferença semântica profunda.

Essa confusão entre os dois não é apenas visual, mas também cultural. Muitos teclados não têm um símbolo específico para o sustenido, e músicos digitais acabam usando a cerquilha como substituto. Isso levanta uma questão interessante: será que a tecnologia está reescrevendo os códigos da arte? Ou será que a arte está se infiltrando nos sistemas digitais, reinventando seus significados?
A cerquilha, quando usada como sustenido, carrega uma carga simbólica inesperada. Ela deixa de ser apenas um marcador de metadados e passa a ser um agente de transformação sonora. É como se o algoritmo ganhasse melodia, e o código se tornasse partitura. Essa fusão entre linguagens revela o quanto os símbolos são maleáveis — e como o contexto é rei.
No fundo, talvez o sustenido e a cerquilha sejam irmãos separados pela função. Ambos desafiam o padrão, deslocam o olhar, e criam novas possibilidades. O sustenido tira a nota do lugar comum; a cerquilha tira a palavra do anonimato. E quando os dois se encontram, seja numa composição digital ou numa reflexão filosófica, o resultado é uma nova forma de expressão.
Então, seria o sustenido uma cerquilha? Talvez sim, talvez não. Mas o que importa é que ambos nos convidam a ver — e ouvir — além do óbvio. E nesse convite, há beleza, há ruptura, e há conexão. Porque no fim das contas, todo símbolo é uma porta. E cabe a nós decidir se queremos atravessá-la.
"Achei muito legal!"

No pentagrama, o sustenido é um convite à elevação. Ele transforma o som, desloca a nota meio tom acima, e com isso altera a emoção da melodia. Já na linguagem digital, a cerquilha é um marcador, uma etiqueta que conecta ideias, temas e comunidades. Um serve à harmonia; o outro, à organização. Um é ouvido, o outro é lido. E ainda assim, ambos são pontes — entre notas ou entre pessoas.

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